Tecnologia
WEB 2.0: Que bicho é esse?
por Vitor L. Vitorasso
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O que seria de nós, pobre humanos, se de repente a Internet acabasse, de uma hora para outra? Hein? Não quero nem imaginar. Definitivamente a Internet conquistou e vem conquistando as corporações mundiais e também os milhares de lares desse mundão. Seja para ler a notícia do time querido, chatear com um colega distante (ou até na cadeira ao lado), ou mesmo fechar negócios milionários através dos B2B, B2C e B52 da vida, o certo é que sem ela não dá para viver. Em todos os sentidos. A Internet está tão consolidada na vida da humanidade que já estão pensando, ou melhor, já está em andamento a introdução, no mundo, de sua mais nova irmã, a WEB 2.0. Surpreso? É, é isso mesmo. Aquele ditado que a gente cresce e progride com os erros cometidos e as experiências, ao longo da vida, vale também para a tecnologia. A WEB 2.0 promete deixar para trás tudo "de ruim", "parado" e "sem graça" que a nossa querida Internet criou, nestes poucos 20 anos de existência, e criar uma nova mentalidade na rede. A mentalidade da interação e participação dos usuários, tornando ainda mais dinâmico o dia a dia da rede. Exemplos disso já podemos conferir, através dos sites Youtube e Wikipedia, onde quem faz a história são os internautas, 100%!

Você pode pensar que o assunto é novo, mas está muito longe disso. Para dar uma idéia, extraí esse texto da Folha Online, de 2006, onde o mercado já mostrava que o assunto já estava pegando fogo e que, cedo ou tarde, teremos que mudar a digitação do tão famoso "www" para, quem sabe, "ww2"...


Boa Leitura!


Entenda o que é a Web 2.0

Folha Online da Folha de S.Paulo

O termo Web 2.0 é utilizado para descrever a segunda geração da World Wide Web --tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. A idéia é que o ambiente on-line se torne mais dinâmico e que os usuários colaborem para a organização de conteúdo.

Dentro deste contexto se encaixa a enciclopédia Wikipedia, cujas informações são disponibilizadas e editadas pelos próprios internautas.

Também entra nesta definição a oferta de diversos serviços on-line, todos interligados, como oferecido pelo Windows Live. Esta página da Microsoft, ainda em versão de testes, integra ferramenta de busca, de e-mail, comunicador instantâneo e programas de segurança, entre outros.

Muitos consideram toda a divulgação em torno da Web 2.0 um golpe de marketing. Como o universo digital sempre apresentou interatividade, o reforço desta característica seria um movimento natural e, por isso, não daria à tendência o título de "a segunda geração". Polêmicas à parte, o número de sites e serviços que exploram esta tendência vem crescendo e ganhando cada vez mais adeptos.

Confira um glossário da Web 2.0 elaborado pela Folha de S.Paulo

AdSense: Um plano de publicidade do Google que ajuda criadores de sites, entre os quais blogs, a ganhar dinheiro com seu trabalho. Tornou-se a mais importante fonte de receita para as empresas Web 2.0. Ao lado dos resultados de busca, o Google oferece anúncios relevantes para o conteúdo de um site, gerando receita para o site a cada vez que o anúncio for clicado

Ajax: Um pacote amplo de tecnologias usado a fim de criar aplicativos interativos para a web. A Microsoft foi uma das primeiras empresas a explorar a tecnologia, mas a adoção da técnica pelo Google, para serviços como mapas on-line, mais recente e entusiástica, é que fez do Ajax (abreviação de "JavaScript e XML assíncrono") uma das ferramentas mais quentes entre os criadores de sites e serviços na web

Blogs: De baixo custo para publicação na web disponível para milhões de usuários, os blogs estão entre as primeiras ferramentas de Web 2.0 a serem usadas amplamente

Mash-ups: Serviços criados pela combinação de dois diferentes aplicativos para a internet. Por exemplo, misturar um site de mapas on-line com um serviço de anúncios de imóveis para apresentar um recurso unificado de localização de casas que estão à venda

RSS: Abreviação de "really simple syndication" [distribuição realmente simples], é uma maneira de distribuir informação por meio da internet que se tornou uma poderosa combinação de tecnologias "pull" --com as quais o usuário da web solicita as informações que deseja-- e tecnologias "push" --com as quais informações são enviadas a um usuário automaticamente. O visitante de um site que funcione com RSS pode solicitar que as atualizações lhe sejam enviadas (processo conhecido como "assinando um feed"). O presidente do conselho da Microsoft, Bill Gates, classificou o sistema RSS como uma tecnologia essencial 18 meses atrás, e determinou que fosse incluída no software produzido por seu grupo

Tagging [rotulação]: Uma versão Web 2.0 das listas de sites preferidos, oferecendo aos usuários uma maneira de vincular palavras-chaves a palavras ou imagens que consideram interessantes na internet, ajudando a categorizá-las e a facilitar sua obtenção por outros usuários. O efeito colaborativo de muitos milhares de usuários é um dos pontos centrais de sites como o del.icio.us e o flickr.com. O uso on-line de tagging é classificado também como "folksonomy", já que cria uma distribuição classificada, ou taxonomia, de conteúdo na web, reforçando sua utilidade

Wikis: Páginas comunitárias na internet que podem ser alteradas por todos os usuários que têm direitos de acesso. Usadas na internet pública, essas páginas comunitárias geraram fenômenos como a Wikipedia, que é uma enciclopédia on-line escrita por leitores. Usadas em empresas, as wikis estão se tornando uma maneira fácil de trocar idéias para um grupo de trabalhadores envolvido em um projeto.

O texto abaixo foi retirado de uma das páginas da ComputerWorld e explica de uma maneira clara a importância do conceito da Web 2.0 e o "por que" ela veio para ficar.

O real e atual mundo da Web 2.0
Por Cezar Taurion

Web 2.0 é inevitável. A nova geração digital ao entrar no mercado de trabalho vai estar tão acostumada a estes conceitos que nem saberá trabalhar sem eles. 

O tema Web 2.0 está bem aquecido no mercado, mas acredito que ainda não está bem compreendido. A Web 2.0 é uma evolução do paradigma Web 1.0, com seus sites estáticos e e-mails, e não pode e nem deve ser descrito pelas suas evoluções tecnológicas, mas pelos seus conceitos e atributos, estes sim, potencializados pelas tecnologias.

Para entender melhor as idéias básicas que fundamentam os conceitos da Web 2.0 vale repetir aqui algumas frases que descrevem muito bem estes conceitos. A primeira é de Thomas Power, guru do movimento de social networking e chairman da Ecademy que disse: “O valor está nas conexões”. Também o Forrester Research definiu muito bem o conceito de social computing: “É o local em que a tecnologia gera energia em comunidades, não instituições”.  

Creio que agora fique mais fácil listar alguns dos atributos que caracterizam a Web 2.0, como o referente ao usuário ser o responsável por gerar conteúdo (vejam Wikipedia e YouTube) e a existência de mecanismos de auto-organização – as comunidades de Open Source e o Wikipedia são exemplos, em que não existe anarquia, mas processos de governança que foram criados pelas próprias comunidades. Duas outras características que podemos listar são a intensa interação entre os pares da comunidade (Flickr ou Orkut), e o alto compartilhamento, transparência e colaboração - vide os projetos Open Source).

Mas porque as empresas devem prestar atenção à Web 2.0? Ao contrário do que muitos ainda pensam - que blogs, Orkut e YouTube são meras curiosidades que interessam apenas a crianças e adolescentes – estamos falando de claros sinais de mudanças nos comportamentos pessoais, que vão afetar de forma profunda as relações sociais e, conseqüentemente, as empresas. Estes sinais já estão por toda parte. Só não enxerga quem não quer ver.

Vejam estas pesquisas da KnowledgeStorm: “mais de 93%  dos compradores de tecnologia consideram a informação que ele obtém online como de maior (49%) ou igual (45%) valor ao conteúdo que recebem através de outros meios, como publicações ou eventos”. Ou esta: “55% dos compradores de tecnologia disseram que conteúdo de blogs já o influenciaram em suas decisões de compra”. E o que dizer desta: “57% dos compradores de tecnologia apontam os blogs como de igual ou maior credibilidade que os meios tradicionais de mídia, como publicações da indústria, white papers e mesmo relatórios de analistas”.  Mais claro impossível.

Portanto, estamos falando de algo muito mais profundo que curiosidades e brincadeiras tecnológicas de crianças e adolescentes. Que tal uma pergunta instigante? Em quanto tempo as empresas deixarão de ser as entidades que ditam preços, níveis de serviço e configurações de produtos em cima de clientes subservientes? Estes clientes cada vez mais informados e conectados exigirão uma conversação de mão dupla. Exigirão sugerir e colaborar na criação do produto ou serviço. A empresa está preparada para este choque cultural? Ouvi em um seminário uma frase que sintetiza muito bem este ponto: “sua companhia é uma empresa de dentro para fora em um mundo de fora para dentro”.

Quebrar a barreira do modelo em que a empresa é que determinava o que os clientes deveriam ter não é fácil, principalmente quando uma grande parcela dos seus executivos e gestores não são nascidos na geração digital, mas vieram do mundo analógico. Para muitos executivos estranhos ao mundo digital um blog corporativo ainda é uma ameaça, um risco. E wiki é uma palavra estranha que não tem espaço na organização.

A conclusão? Web 2.0 é inevitável. Não adianta lutar contra. Lembram-se do início da internet, quando muitas empresas não aceitavam que seus funcionários acessassem a web dos escritórios? E proibiam emails? Pois é. Impedir a entrada de blogs, wikis e social computing softwares será inútil. Vão entrar queiramos ou não. A nova geração digital ao entrar no mercado de trabalho vai estar tão acostumada a estes conceitos que nem saberá trabalhar sem eles.

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